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Na abertura de fórum nacional, FAS destaca inovação social e acesso à saúde na Amazônia profunda – FAS

agosto 28, 2026
in Sem categoria
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Na abertura de fórum nacional, FAS destaca inovação social e acesso à saúde na Amazônia profunda - FAS

Os desafios de transformar investimentos sociais em soluções efetivas para populações que vivem em territórios remotos da Amazônia foram destacados pela superintendente-geral adjunta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia dos Santos, durante a abertura do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais 2026.

Promovido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em parceria com o Global Philanthropy Forum, o evento chegou à sua 15ª edição com o tema “Entre a Essência e a Reinvenção”. Realizado em formato híbrido, o Fórum reuniu, em São Paulo, lideranças, especialistas, filantropos e investidores sociais do Brasil e de outros países para discutir como a filantropia pode preservar seus princípios e, ao mesmo tempo, responder às transformações sociais, climáticas e tecnológicas.

Valcléia participou do painel de abertura “Reinvenção agora. Relevância sempre!”, ao lado de Somachi Chris-Asoluka, CEO da Tony Elumelu Foundation, e Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen. A mediação foi conduzida por Sonia Consiglio, especialista em sustentabilidade e reconhecida como SDG Pioneer pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas.

Em sua participação, Valcléia ressaltou que implementar projetos socioambientais na Amazônia profunda exige compreender realidades territoriais muito diferentes das encontradas nos grandes centros urbanos. Como exemplo, citou uma viagem recente para acompanhar a entrega de ações do projeto SUS na Floresta, cujo deslocamento até a comunidade levou cerca de 36 horas.

“Quando falamos da Amazônia profunda, estamos falando de lugares aos quais se leva quatro horas para chegar e de outros em que são necessárias 36 horas de viagem. Temos desafios que, para muitas pessoas, são inimagináveis”, afirmou.

Segundo Valcléia, as características geográficas e logísticas da região exigem que organizações sociais, financiadores e parceiros reinventem permanentemente suas estratégias. Ela comparou a implementação de projetos na Amazônia a uma partida de futebol que começa com uma desvantagem de três gols, em razão das distâncias, da limitada infraestrutura, das dificuldades de comunicação e do alto custo das operações.

“É preciso compreender como chegar a lugares tão complexos e distantes e como construir soluções que façam sentido para quem vive nesses territórios. Não basta levar uma solução pronta. É necessário escutar as comunidades”, destacou.

 

Escuta como ponto de partida

Durante o painel, Valcléia defendeu que a inovação social não deve ser entendida apenas como a adoção de tecnologias, mas como a capacidade de ouvir as populações locais, compreender suas prioridades e integrar diferentes áreas do desenvolvimento.

Ela relatou situações em que necessidades consideradas básicas por agentes externos, como a construção de banheiros, não apareciam como prioridade imediata para determinadas comunidades. Em alguns territórios, o campo de futebol, por exemplo, possui uma função social central, por ser espaço de convivência, interação e integração comunitária.

“A necessidade da comunidade nem sempre é aquilo que imaginamos a partir do nosso conhecimento técnico. Quando chegamos ao território, precisamos escutar. É a comunidade que nos ajuda a compreender o que deve ser priorizado e como cada solução pode ser construída”, explicou.

Essa escuta, segundo Valcléia, orientou o desenvolvimento de uma tecnologia social utilizada pela FAS, baseada em uma abordagem sistêmica. A metodologia considera que demandas relacionadas à saúde, à educação, à geração de renda, à comunicação, à infraestrutura e à qualidade de vida estão conectadas e não devem ser tratadas isoladamente.

“Não dá para chegar a uma comunidade pensando em apenas um problema. Quando escutamos as pessoas, percebemos que saúde, educação, renda e acesso a direitos caminham juntos. A reinvenção começa pela capacidade de reconhecer essa complexidade”, disse.

 

SUS na Floresta amplia acesso à saúde

Como exemplo concreto dessa abordagem, Valcléia destacou o SUS na Floresta, iniciativa voltada ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas.

O projeto estrutura um sistema de telessaúde integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que moradores de comunidades isoladas tenham acesso a atendimentos e orientações de saúde sem precisar realizar longos e dispendiosos deslocamentos até as sedes municipais.

A iniciativa é realizada pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Vale e Umane, com gestão da parceria pelo IDIS. O projeto conta ainda com o apoio técnico das prefeituras de Carauari, Itapiranga, Novo Aripuanã, Uarini e Eirunepé e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).

Valcléia lembrou que a experiência da FAS com soluções de atendimento remoto começou a ser construída durante a pandemia de Covid-19. Naquele período, diante do isolamento de centenas de comunidades e das dificuldades para circulação de profissionais e informações, a instituição precisou criar estratégias para manter o contato com as populações locais.

Com o apoio de rádios, internet e outros meios disponíveis nos territórios, foram desenvolvidas ações de comunicação e orientação, além das primeiras experiências de teleatendimento. O aprendizado acumulado contribuiu posteriormente para a estruturação do SUS na Floresta.

“A pandemia nos obrigou a repensar rapidamente a forma de chegar às comunidades. Começamos a realizar teleatendimentos e a utilizar os diferentes meios de comunicação existentes nos territórios. Hoje, essa experiência se transforma em uma iniciativa estruturada e integrada ao SUS”, afirmou.

Para Valcléia, o projeto demonstra como situações de crise também podem estimular processos de inovação e gerar soluções permanentes. Mais do que introduzir uma ferramenta tecnológica, o SUS na Floresta articula conectividade, profissionais de saúde, poder público, organizações da sociedade civil, financiadores e comunidades.

“Reinventar-se não significa abandonar a essência. Significa encontrar novas formas de cumprir a missão, especialmente quando as populações mais distantes ainda enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos. A tecnologia só faz sentido quando reduz distâncias e melhora concretamente a vida das pessoas”, concluiu.

Realizado desde 2012, o Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais constitui um espaço de intercâmbio e aprendizagem entre lideranças nacionais e internacionais, fortalecendo a filantropia estratégica e sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade.

 


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