As apostas online já são um problema de saúde pública no Brasil. Quase 11 milhões de pessoas com 14 anos ou mais jogam de forma arriscada ou problemática, segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, com dados de 2023. Hoje, o vício em bets fica atrás apenas do álcool e do tabaco. A parcela mais vulnerável são homens jovens e de baixa renda.
Diante desse cenário, a Fiocruz criou um curso online sobre o vício em bets, voltado para profissionais de saúde pública, com o objetivo de capacitar diferentes agentes a identificar o transtorno, acolher pacientes e famílias e encaminhar para tratamento adequado e individualizado.
Ao Entrevista com BdFa assessora técnica da Fiocruz Olga Jacobina explica que o curso foi pensado e realizado em parceria com o Ministério da Saúde, que começou a identificar que o vício em jogos, além do problema financeiro e para a economia, passou a ser também uma questão de saúde pública.
Jacobina explica que o uso popular de “vício” não é adotado entre os profissionais da saúde no aspecto técnico porque é um termo pejorativo, que acaba fazendo um julgamento prévio da condição daquela pessoa. No lugar, as expressões mais usadas são transtorno do jogo, jogo problemático ou ludopatia, a depender da gravidade de cada caso.
A especialista também explica alguns dos principais sintomas desses quadros. “Se você pegar os critérios diagnósticos que a gente usa aqui no Brasil, por exemplo, a gente usa o CID, que é o Código Internacional de Doenças, mas também tem o DSM que as pessoas usam, por exemplo. Você vai fazendo perguntas, como: tem necessidade de apostar quantias cada vez maiores, a fim de atingir a excitação desejada? É inquietude ou irritabilidade quando tenta reduzir ou interromper o jogo? À medida que você vai respondendo ‘sim’ para essas questões que eu estou elencando aqui, você pode, por exemplo, identificar nove elementos condizentes com transtorno de jogo. Se é um desses só que você preenche, então a gente entende que você não tem um transtorno de jogo. Se você tem entre seis e sete, você tem uma questão moderada com jogo. Se você tem entre quatro e cinco, é um transtorno leve”, explica.
Olga Jacobina conta que a situação de pessoas que vivenciam o agravamento de quadros de transtorno de jogo é muito triste, assemelha-se à dependência em drogas ilícitas e prejudica essencialmente a rotina. “Tem perguntas como: você prejudicou ou perdeu um relacionamento significativo, emprego, uma oportunidade educacional por conta do jogo? Depende de outras pessoas ter dinheiro para poder jogar? Você mente para poder jogar? São questões que, se você for olhar, muitas vezes são parecidas com outras dependências, de substâncias também, então tem um comportamento aditivo que a gente fala em relação ao transtorno de jogo”, explica.
Outra questão abordada é o impacto que o hábito problemático em jogos causa nas pessoas próximas, especialmente familiares ou quem vive junto do paciente. “Assim como as outras dependências (de drogas), porque, quando você tem uma pessoa dependente, muitas vezes, a pessoa que mais sofre com a dependência da substância e às vezes é quem busca ajuda não é a pessoa que está ali fazendo uso problemático. É um familiar, uma mãe, um irmão. As pesquisas trazem para cada pessoa que joga, pelo menos seis são afetadas diretamente”, revela.
Para assistir à entrevista completa, acesse o link abaixo:
Para ouvir e assistir
Ó Entrevista com BdF vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo.








