27 de julho de 2026
A REVISTA DIGITAL QUE FALTAVA NA CIDADE.
WhatsApp
No Result
View All Result
  • Página Inicial
  • Expediente
  • Amazonas e Região
  • Manaus e Região
  • Interior do AM
  • Brasil
  • Famosos
  • Especial Publicitário
Anota Manaus
  • Página Inicial
  • Expediente
  • Amazonas e Região
  • Manaus e Região
  • Interior do AM
  • Brasil
  • Famosos
  • Especial Publicitário
No Result
View All Result
No Result
View All Result
Home Brasil

O futebol e a Copa como instrumentos coloniais

junho 7, 2026
in Brasil
A A
0
Algoz do Brasil na final da Copa de 1998 e também nas quartas de final de 2006, Zidane é um exemplo das vantagens extraídas por países colonizadores

Zidane e Seedorf, dois craques, dois ídolos mundiais. Mas o que é que as trajetórias deles nos dizem sobre colonialismo? Quando assistimos a uma Copa do Mundo, normalmente vemos camisas, torcidas, rivalidade e gols. O problema é que algumas histórias começam muito antes de a bola rolar.

Seedorf nasceu no Suriname, aqui na América do Sul, em 1976. Só que tem um detalhe importante, que a maioria de nós esquecemos: ele nasceu apenas um ano após o país deixar de ser colônia da Holanda. A trajetória de Seedorf não é um caso isolado. Ela simboliza um movimento que se repete há séculos no processo de colonização.

Antigamente, os impérios europeus cruzavam oceanos para retirar das colônias ouro, especiarias, alimentos e riquezas naturais. Hoje, a lógica é a mesma, só mudou a forma de extração. O que atravessa o oceano são seres humanos, carregando o talento que foi moldado lá, mas que vai servir ao projeto de poder europeu.

Ainda criança, Seedorf saiu do Suriname com destino a Holanda, onde se tornou um dos maiores jogadores da história daquela seleção, a holandesa. E talvez você nunca tenha parado para pensar nisso: a camisa da Holanda é laranja, mas a bandeira do país é composta pelas cores vermelha, branca e azul. O laranja não tem nada a ver com a bandeira oficial. A cor é uma homenagem à Casa de Orange e a Guilherme de Orange, figura central na independência holandesa contra os espanhóis. Ou seja, até a identidade visual da seleção que a gente vê na TV carrega marcas históricas e políticas ligadas a essa disputa colonial. É a história escrita no tecido.

Já Zinedine Zidane, filho de argelinos, se tornou o grande rosto da França campeã do mundo em 1998. Mas existe uma camada da história que muita gente faz questão de esquecer: 10 anos antes de Zizou nascer, a França ainda promovia uma guerra colonial aberta contra a Argélia.

Enquanto isso acontecia, jogadores argelinos abandonaram clubes e até a seleção francesa para formar o time da Frente de Libertação Nacional (FLN). Era uma seleção não oficial, que viajava o mundo jogando partidas diplomáticas para chamar atenção para a luta pela independência da Argélia.

Ali, o futebol deixou de ser só esporte para virar ferramenta de resistência anticolonial. Enquanto a metrópole queria manter o controle, o campo de futebol virou trincheira de denúncia. O esporte, que deveria se limitar ao lazer e entretenimento, mostrou que tem um papel político central na vida dos povos.

E isso não acabou. A França campeã do mundo em 2018 tinha vários protagonistas ligados diretamente às marcas da colonização e da diáspora africana. Mbappé é filho de pai camaronês e mãe argelina. Pogba tem origem guineense. Kanté é filho de imigrantes do Mali.

Zinédine Yazid Zidane, filho de argelinos, nasceu em Marselha (FRA) | Crédito: Achim Scheidemann/AFP

Até hoje, a seleção francesa carrega para dentro de campo histórias que nasceram fora dele, em terras que foram exploradas pela França. O futebol, nessas seleções, acaba sendo um espelho da própria política de imigração e das feridas coloniais que não cicatrizaram no tempo.

Portugal também usou o futebol como ferramenta colonial — e de um jeito ainda mais explícito. Durante o regime colonial português, o futebol era incentivado em colônias como Angola e Moçambique. Não era por esporte, mas uma forma de reforçar a ideia de que Portugal e suas colônias formavam um único corpo.

E ninguém simboliza mais esse momento do que Eusébio. Nascido em Moçambique, ele foi transformado em símbolo do sucesso português. Seu talento era celebrado como um troféu. Mas o contexto colonial quase sempre era apagado pela narrativa europeia.

Enquanto ele brilhava nos gramados, movimentos de independência cresciam na terra onde ele nasceu. O jogador era o herói da metrópole, enquanto o seu povo, em Moçambique, lutava para deixar de ser colônia. É um contraste que dói, mas que precisa ser encarado por todo torcedor.

No fim, o futebol nunca se espalhou pelo mundo de forma neutra. Ele foi, e continua sendo, instrumento de influência cultural dos colonizadores. As mesmas relações históricas que moldaram impérios acabaram moldando seleções, identidades nacionais e até quem teria a oportunidade de ser visto pelo mundo dentro dessa estrutura de colonialismo.

Talvez o ponto mais importante não seja “reduzir o futebol à política” — até porque ele já é política —, mas entender que o futebol carrega história. Porque às vezes, antes mesmo de a bola chegar no pé do craque, ela já tinha atravessado séculos de colonização. E é sobre isso que a gente precisa falar para não normalizar o que é fruto de exploração.

A Copa do Mundo é um dos maiores espetáculos esportivos do planeta, um momento em que o mundo assiste a uma disputa entre nações em batalhas dentro do gramado. Mas, por trás de cada seleção que entra em campo, há um conjunto de histórias que não cabem nos 90 minutos de jogo. Histórias de migração, desigualdade, conflitos políticos, disputas por identidade, memória coletiva e formas diferentes de existir no mundo. Futebol e a política se discutem e também se misturam.

É a partir desse olhar que nasce esta série de textos em que não falo apenas de futebol e nem só de política. A Copa é o ponto de partida para dar visibilidade a histórias, questões sociais, culturais e políticas. Ao longo das próximas publicações, o convite é simples: atravessar o campo comigo, percebendo que a Copa nunca foi só futebol. Mas e para você, qual é o tema que merece a nossa atenção nesta Copa? Vamos construir esse debate juntos?


ShareTweetShareShare

Leiam também

Imprevisto pode adiar chegada às lojas do primeiro iPhone dobrável

Imprevisto pode adiar chegada às lojas do primeiro iPhone dobrável

julho 26, 2026
0

Há meses circulam dúvidas sobre os planos da Apple de lançar seu primeiro celular dobrável — conhecido nos rumores como...

Programação começa às 14 horas na Academia Pernambucana de Letras

Projeto Domingo sem Tela promove tarde gratuita de literatura e brincadeiras para crianças no Recife

julho 26, 2026
0

Neste domingo (26), das 14h às 17h, o jardim da Academia Pernambucana de Letras (APL), no bairro das Graças, no...

"Paredes teve sorte de eu não estar em campo", diz Ibrahimovic

“Paredes teve sorte de eu não estar em campo”, diz Ibrahimovic

julho 22, 2026
0

Zlatan Ibrahimovic criticou duramente Leandro Paredes pelos episódios de violência registrados após a vitória da Espanha sobre a Argentina por...

Com 13 casos de sarampo, São Paulo alerta para reforço na vacinação

Com 13 casos de sarampo, São Paulo alerta para reforço na vacinação

julho 22, 2026
0

O estado de São Paulo registrou 13 casos de sarampo em 2026, de acordo com a Secretaria de Estado da...

Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e Barém e diz ter matado soldados

Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e Barém e diz ter matado soldados

julho 18, 2026
0

Ós ataques atingiram bases militares, radares, centros de comunicação, depósitos de combustível, aeronaves e várias pontes. "Os poderosos combatentes das...

Dólar sobe para R$ 5,11, e bolsa fica estável, apesar de tensão global

Dólar sobe para R$ 5,11, e bolsa fica estável, apesar de tensão global

julho 18, 2026
0

O dólar fechou em leve alta frente ao real, o Ibovespa interrompeu uma sequência de três semanas de ganhos e...

Next Post
Mulher que estava com cearense desaparecido em Ilhabela pede orações por jovem: ‘Continuem rezando’ – País

Mulher que estava com cearense desaparecido em Ilhabela pede orações por jovem: 'Continuem rezando' - País

Últimas do Metrópoles

NFL: filho de auxiliar dos Chiefs é preso por atirar contra a mãe

Eric Bieniemy, coordenador ofensivo do Kansas City Chiefs, se afastou do cargo para acompanhar a situação [...]

Fluminense: Arana e Serna não preocupam após deixarem campo com dores

Kevin Serna e Guilherme Arana deixaram o campo por lesão no empate do Fluminense contra o Grêmio no último domingo [...]

Deborah Secco, Gracyanne e mais teriam divulgado canetas paraguaias

Site aponta que famosos participaram de eventos ligados a medicamentos sem registro na Anvisa [...]

"Temos que virar a página", diz Haddad sobre falas de Milei

Candidato ao governo de SP, Fernando Haddad (PT) afirmou que crise causada por presidente argentino será superada [...]

Neymar retorna ao Santos em último treino antes da Sul-Americana

Após ser alvo de polêmicas no clube, Neymar esteve no centro de treinamento Rei Pelé no treino do Santos nesta [...]

A revista digital que faltava na cidade.

Site filiado à Federação Nacional de Jornalismo – FENAJ

Sobre nós

No jornalismo profissional, marcado pelo artesanato do texto e das ilustrações, e pela exaustiva checagem de informações, oferecemos a você, nosso leitor, um continente seguro com os temas que mais lhe interessam.

Contate

© 2022 ANOTA MANAUS

No Result
View All Result
  • Página Inicial
  • Expediente
  • Amazonas e Região
  • Manaus e Região
  • Interior do AM
  • Brasil
  • Famosos
  • Especial Publicitário

© 2022 ANOTA MANAUS