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Inaugurada na 32. ª Semana Justiça pela Paz em Casa mostra “Vidas Interrompidas” traz reflexão sobre feminicídio

fevereiro 28, 2026
in Sem categoria
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Inaugurada na 32. ª Semana Justiça pela Paz em Casa mostra “Vidas Interrompidas” traz reflexão sobre feminicídio

O projeto expositivo é inédito e ficará no hall do Fórum Henoch Reis, bairro São Francisco até dia 13 de março.


Como parte da programação da 32ª. Semana da Justiça pela Paz em Casa, o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) e dos Juizados Especializados no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da capital, inaugurou na manhã desta sexta-feira (27), a mostra “Vidas Interrompidas: Feminicídio, Gênero e Justiça”, iniciativa que convida a sociedade a refletir sobre as raízes e os impactos da violência letal contra mulheres.

A exposição pode ser apreciada no hall do Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco, zona Sul de Manaus, pelo período de 27 de fevereiro a 13 de março.

“A mostra consiste em banners que trazem informações contextualizadas acerca dessa temática da violência. O objetivo é trazer informações sobre o feminicídio e sensibilizar a sociedade para esse fenômeno que é tão complexo e revela o auge da violência de gênero. Os números são preocupantes”, afirmou a assistente social Deniglesia Lima Nascimento, que integra a equipe multidisciplinar do 1º e 4º Juizados Maria da Penha, e atuou na criação da inciativa.

De acordo com a assistente social do 1º e 4.º Juizados Maria da Penha, Celi Cristina Nunes Cavalcante, a iniciativa, que integra as ações da Semana Justiça pela Paz em Casa, reforça que o feminicídio é um crime evitável. Reconhecer os sinais precoces da violência, garantir escuta qualificada, conceder e fiscalizar medidas protetivas e atuar de forma integrada são medidas fundamentais para salvar vidas.

A programação é aberta ao público e busca envolver magistrados, servidores, estudantes e a sociedade em geral na construção de uma cultura de prevenção, respeito e igualdade de gênero.

“A Mostra tem como objetivo promover uma reflexão qualificada sobre o feminicídio e as tentativas de feminicídio, compreendidos como formas extremas da violência baseada no gênero. A proposta destaca que o feminicídio não é um fato isolado ou imprevisível, mas, na maioria das vezes, o desfecho de um ciclo de violências reiteradas, desigualdades estruturais e relações marcadas por poder e controle”, afirma a assistente social.

Um problema estrutural e global

De acordo com dados apresentados na exposição, mais de 11,8 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil desde 2015. Com taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, o país figura entre os que registram maiores índices de assassinatos femininos no mundo, conforme levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Mostra também contextualiza os avanços legislativos no enfrentamento à violência de gênero, como a Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006), a Lei do Feminicídio (Lei n.º 13.104/2015) e a Lei n.º 14.717/2023, que institui pensão especial para filhos e dependentes menores de 18 anos de mulheres vítimas de feminicídio. Também são destacados instrumentos recentes, como o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

A violência que antecede a morte

Um dos eixos centrais da exposição é a compreensão de que o feminicídio não começa com a morte. Ele é precedido por diferentes formas de violência — psicológica, física, sexual, moral e patrimonial — que se repetem em ciclos de tensão, agressão e reconciliação.

A Mostra alerta para momentos de maior risco, como tentativas de separação, descumprimento de medidas protetivas, gravidez ou retomada do convívio com o agressor. O conteúdo também chama atenção para o impacto da minimização da violência, da ausência de respostas rápidas e da desarticulação da rede de proteção, fatores que aumentam o risco letal.

Desafios no Amazonas

No contexto estadual, dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, em 2025, foram registradas 35.037 ocorrências de violência contra mulheres no Amazonas e 20 casos de feminicídio — o menor número desde 2021. Apesar da redução da letalidade, a violência doméstica permanece ampla e recorrente.

A Mostra ressalta ainda os desafios específicos da região amazônica, como grandes distâncias geográficas, isolamento de comunidades e barreiras culturais que podem dificultar o acesso das vítimas à rede de proteção e ao sistema de Justiça.

Órfãos do feminicídio e responsabilidade coletiva

Outro ponto abordado é a realidade dos órfãos do feminicídio. Estimativas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que esses crimes deixam mais de dois mil órfãos por ano no país. A exposição destaca que a violência não se encerra com a morte da mulher, mas produz consequências duradouras para crianças e adolescentes, que muitas vezes perdem ambos os genitores — seja pela morte, prisão ou ruptura dos vínculos familiares.

 

 

#PraTodosVerem:  A imagem da matéria mostra um grupo de oito pessoas posando lado a lado em um ambiente institucional, aparentemente no interior de um prédio público. A maioria veste camisetas brancas com a inscrição “Mostra Vidas Interrompidas – O Judiciário pelo fim do feminicídio”, reforçando o caráter da ação. Duas mulheres usam trajes formais em tons claros, como blazer e conjunto social, indicando possível atuação institucional ou função de liderança no evento. Ao fundo, há painéis informativos com os títulos “O que é feminicídio”, “Gênero, Poder e Controle” e “Resistência e Prevenção: Compromisso pela vida”. Um dos banners destaca a frase “O feminicídio é um crime evitável”, além de informações educativas sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

 

Clique para fotos do evento:  https://www.flickr.com/photos/tribunaldejusticadoamazonas/albums/72177720332261963

 

 

Sandra Bezerra

Foto: Marcus Phillipe

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL / TJAM

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

(92) 99316-0660

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