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Fazendeiro brasileiro condenado a pagar US$ 50 milhões por danos à Amazônia | Brasil

outubro 11, 2024
in Amazonas e Região
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Fazendeiro brasileiro condenado a pagar US$ 50 milhões por danos à Amazônia | Brasil

Um criador de gado brasileiro foi condenado a pagar mais de 50 milhões de dólares (39 milhões de libras) pela destruição de parte da floresta amazónica e a restaurar o precioso sumidouro de carbono.

Na semana passada, um tribunal federal no Brasil congelou os bens de Dirceu Kruger para pagar uma indemnização pelos danos que causou ao clima através da desflorestação ilegal. O caso foi movido pela Procuradoria-Geral da República, representando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(Ibama). É o maior processo civil movido por crimes climáticos no Brasil até o momento e o início de uma pressão legal para reparar e impedir danos à floresta tropical.

Kruger já havia sido forçado a pagar indenização pelo Ibama pela destruição de 5.600 hectares (13.838 acres) nos municípios amazônicos de Boca do Acre e Lábrea. Isso ocorreu em terras públicas pertencentes ao governo federal e ao estado do Amazonas.

O fazendeiro usou motosserras para limpar a vegetação, depois ateou fogo para limpar a terra e finalmente plantou grama para estabelecer pastagens para a criação de gado. Imagens de satélite mostraram a escala dos danos e Kruger admitiu tê-los causado em filme.

A floresta amazónica é vital para o sistema climático global, mas está seriamente ameaçada por atividades legais e ilegais; um estudo recente mostrou que metade dela poderá atingir um ponto de inflexão em 2050.

Ao abrir um processo civil contra Kruger, o gabinete do procurador-geral argumentou que as suas ações prejudicaram o clima de duas maneiras: a queima da vegetação emite diretamente gases com efeito de estufa e a remoção das plantas significa que estas já não podem extrair dióxido de carbono da atmosfera.

O tribunal ouviu que danificar a floresta amazônica emite em média 161 toneladas de carbono por hectare, levando a um total de 901.600 toneladas.

O tribunal avaliou o valor destes danos em 60 euros (65 dólares/50 libras) por tonelada, um número derivado da média do custo social do carbono calculado pela Agência de Protecção Ambiental dos EUA e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Este é um valor relativamente baixo; as estimativas mais recentes dos custos sociais são significativamente mais elevadas.

Isso colocou o dano total causado pelo Kruger em 292 milhões de reais (US$ 50 milhões). O dinheiro pago por Kruger irá para o fundo nacional de emergência climática. Os bens de Kruger foram congelados e ele está proibido de receber financiamento governamental ou benefícios fiscais. Ele também está proibido de vender gado e produtos agrícolas, bem como comprar máquinas como motosserras e tratores.

Além disso, Kruger terá de restaurar a terra que degradou para que possa voltar a ser um valioso sumidouro de carbono. O tribunal disse que obrigar os infratores a pagar uma compensação pelos danos climáticos é vital porque os danos causados ​​nunca poderão ser totalmente remediados.

Esta foi a maior reclamação até o momento por danos à floresta tropical apresentada pela Procuradoria-Geral da República, que pretendia que fosse “apenas a primeira de uma série de ações que buscam reparar os danos climáticos causados ​​pela destruição não apenas da Amazônia, mas de todos os biomas brasileiros”.

Mariana Cirne, da Procuradoria Nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, disse que o sucesso do caso era “uma questão de justiça climática” e ajudaria o Brasil a cumprir suas metas nacionais de emissões.

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Cirne afirmou: “Hoje, milhões de pessoas já sofrem os impactos diretos e indiretos das alterações climáticas, com a preocupação adicional de que as populações mais vulneráveis ​​sejam as mais afetadas. Por isso, é crucial garantir a total responsabilização pelas emissões ilegais e a imposição da obrigação de implementar projetos de captura de carbono.”

A decisão ainda não foi finalizada pela Justiça e ainda cabe recurso. Vários casos semelhantes estão percorrendo o sistema judicial brasileiro. Não são apenas aqueles que destroem diretamente a floresta amazônica que estão sendo processados. Está em curso um processo contra a empresa de importação e exportação Importação e Exportação de Madeiras Floresta Verde por armazenar madeira supostamente proveniente de desmatamento ilegal.

Rafaela Santos Martins da Rosa, juíza federal e editora de um próximo livro sobre litígios climáticos no Brasil, disse que os tribunais brasileiros estão reconhecendo cada vez mais que cada ato de indivíduos e empresas que libera emissões de gases de efeito estufa ou causa perda de sumidouros de carbono aumenta o efeito cumulativo. sobre o clima.

Quantificar o custo social mais amplo destes danos também ajuda a dissuadir futuras atividades ilegais. Da Rosa disse: “As condenações por danos ambientais em geral no Brasil nunca atingiriam esses valores monetários. Só com o reconhecimento da dimensão climática e o cálculo monetário das emissões é que estes níveis serão alcançados. Na verdade, isso poderia desencorajar comportamentos semelhantes por parte de outros desmatadores.”

O tribunal sublinhou que a decisão contra Kruger não abriu a porta a reclamações sobre desflorestação legal, mas Da Rosa disse que ações civis deste tipo poderiam ser movidas contra autoridades públicas.

No início deste ano, o Supremo Tribunal do Brasil ordenou ao governo federal que restabelecesse um plano para prevenir e controlar o desmatamento na Amazônia e para monitorar e investigar crimes ambientais que ocorrem lá. O tribunal reconheceu que a política ambiental do Brasil ainda estava sendo atualizada após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, mas disse que mais poderia ser feito.

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