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Povos indígenas estão no centro das soluções para a Amazônia e o clima – FAS

abril 20, 2026
in Sem categoria
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Povos indígenas estão no centro das soluções para a Amazônia e o clima - FAS

Abril, marcado pelo Mês dos Povos Indígenas, evidencia as pautas de luta dos povos originários pela garantia de direitos e reforça um ponto cada vez mais central no debate climático: não há como falar em futuro para a Amazônia sem reconhecer o papel dos povos indígenas na conservação da floresta. A proteção dos territórios indígenas têm impacto direto na conservação da floresta, na contenção do desmatamento e na manutenção de ecossistemas fundamentais para o equilíbrio climático.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, terras geridas por povos indígenas com direitos assegurados apresentam taxas de desmatamento até 2 a 3 vezes menores do que áreas fora desses territórios, além de maior biodiversidade e maior armazenamento de carbono. O dado reforça que demarcar, proteger e garantir direitos aos povos indígenas não é apenas uma medida de justiça, é também uma estratégia concreta de enfrentamento às mudanças climáticas.

Na Amazônia, esse protagonismo se expressa em iniciativas que articulam cultura, autonomia, formação e incidência política. É nesse contexto que a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) desenvolve ações voltadas ao fortalecimento de lideranças indígenas, ao apoio a mulheres empreendedoras, à valorização de práticas tradicionais e à ampliação da presença indígena em espaços estratégicos.

Entre essas iniciativas está o projeto Parentas que Fazem, que mapeou 118 organizações lideradas por mulheres indígenas na Amazônia brasileira. A iniciativa contou com o apoio do Google.org e a parceria da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Rede de Mulheres Indígenas do Amazonas (Makira-E’ta), com o objetivo de impulsionar a economia indígena na região. Para isso, identificou atividades como artesanato, agricultura, extrativismo e valorização da medicina tradicional, aliando apoio técnico e financeiro ao desenvolvimento sustentável dessas ações.

No campo do esporte, projetos como a Arquearia Indígena e a Canoagem Indígena mostram como práticas tradicionais também podem se transformar em ferramentas de inclusão, autoestima e geração de oportunidades. No caso da arquearia, a iniciativa já contribuiu para a conquista de mais de 50 medalhas por atletas indígenas e revelou trajetórias como a de Graziela Yaci, do povo Karapãna, primeira arqueira indígena da seleção brasileira de tiro com arco.

“Com o apoio do projeto, conquistei medalhas e cheguei à seleção brasileira de tiro com arco, tornando-me a primeira arqueira indígena do país na equipe. Esse projeto me abriu caminhos que mudaram minha vida: graças à arquearia, concluí a faculdade de Ciências Contábeis e aprendi muito além do esporte”, afirma Graziela Yaci.

Já o projeto de Canoagem Indígena, iniciado em 2014, promoveu ao longo dos anos a inclusão social, o fortalecimento cultural e a formação esportiva de jovens indígenas da Amazônia, abrindo caminho para que atletas chegassem a competições de alto nível. Agora, um novo ciclo da iniciativa está em andamento, viabilizado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, com a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCA) e o apoio da FAS, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Este novo momento prevê a criação de três núcleos de canoagem: um na comunidade do Tumbira, outro na comunidade Três Unidos e um terceiro em São Gabriel da Cachoeira, com a expectativa de atender e formar cerca de 120 jovens de comunidades ribeirinhas e indígenas. 

A atuação também passa pelo fortalecimento da participação indígena em espaços de mobilização e incidência. Em 2025, a FAS apoiou a presença de lideranças indígenas em agendas estratégicas em Brasília, incluindo mobilizações em defesa de direitos e territórios. No mesmo ano, por meio do projeto Banzeiro da Esperança, a Fundação levou 63 lideranças indígenas para a COP30, ampliando a presença dos povos da Amazônia em um dos principais espaços globais de debate sobre o clima.

Para Rosa dos Anjos, indígena do povo Mura e supervisora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, reconhecer o papel dos povos indígenas exige mais do que visibilidade pontual. 

“Falar do mês alusivo aos povos indígenas é reafirmar algo que vivemos todos os dias, somos nós que protegemos a floresta com nossos conhecimentos, nossa cultura e nossa resistência. Não basta visibilidade em datas específicas, é preciso garantir nossos direitos, nossos territórios e, principalmente, nossa participação nas decisões que impactam o nosso futuro. Quando fortalecemos o protagonismo indígena, seja na cultura, no esporte, na geração de renda ou na incidência política, estamos também fortalecendo a Amazônia. Não há solução para a crise climática sem nós povos indígenas. Nosso protagonismo não é apenas reconhecimento, é caminho para um futuro sustentável para todos”, conclui. 

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

Créditos de imagem: Kamila Cavalcante


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